A Rede (Local) é a parte da Rede de Participação Política do Empresariado voltada – nas localidades escolhidas para a implantação do presente projeto – para a indução do desenvolvimento na sua localidade.
Essa Rede (Local) também pode ser chamada de Rede do Desenvolvimento Comunitário. Ela deve buscar conectar todos os participantes de programas de desenvolvimento, governamentais ou não-governamentais, que existam na localidade. Mas não deve se restringir a tais pessoas; pelo contrário: deve ser ampliada com todos aqueles que quiserem colaborar com o trabalho.
Atenção: trata-se de uma rede de pessoas, não de entidades, instituições ou organizações.
Deve-se buscar conectar um número mínimo de pessoas em cada localidade: este número corresponde a 1% das pessoas da localidade. Assim, se a localidade escolhida for um município de 40 mil habitantes, a rede deve contar com 400 participantes conectados; se for um bairro com cinco mil habitantes, a rede deve ter 50 participantes conectados, no mínimo. Não se conseguirá atingir essa meta de uma vez. A identificação e a conexão das lideranças de cada localidade é uma tarefa contínua. No entanto, não é necessário conectar todas as pessoas para começar a implantar o projeto.
Dentro desse número mínimo devem estar os inovadores. Isso exige um levantamento prévio de quem são as pessoas que devem ser procuradas.
Para começar a conectar as lideranças em cada localidade o Comitê (Local) de Articulação da Rede deve fazer um plano de trabalho que compreende:
1 – A identificação das lideranças governamentais, empresariais e da sociedade civil (considerando todo o universo de possíveis atores-parceiros: associações representativas; clubes de serviço; conselhos de políticas públicas; empresas; escolas e universidades; fóruns e agências de desenvolvimento; instituições religiosas; juízes e promotores; governo e parlamento, meios de comunicação; ONGs (OSCIPs e organizações da sociedade civil em geral), fundações, institutos, centros de estudo e pesquisa; sindicatos; e, sobretudo, cidadãos que se dedicam ao trabalho voluntário). É importante não esquecer que essas instituições devem ser listadas para que se possa ter acesso às pessoas que delas participam.
2 – Visitas pessoais a essas lideranças com a distribuição do folder do projeto e de outros materiais de divulgação.
3 – Convites para participar de atividades do projeto na localidade.
4 – A obtenção da adesão voluntária, porém formal, de cada liderança, à Rede de Participação Política do Empresariado (ou à Rede do Desenvolvimento Comunitário da localidade), com o preenchimento de um cadastro, com endereço completo para futuras visitas e para envio de correspondência e e-mails).
Articular a Rede (Local) não é só a primeira, senão a principal tarefa do Comitê (Local). Trata-se de um trabalho árduo de identificação das principais lideranças governamentais, empresariais e da sociedade civil em cada localidade e, depois, de sedução dessas lideranças para que venham a participar da Rede, a qual deverá ser continuamente animada e informada do andamento do processo, capacitada e chamada a participar das ações que serão realizadas. Se esse trabalho não for bem feito, os Comitês (Locais) correm o risco de ficar isoladas da população, perdendo a capacidade de disseminar o projeto e contagiar a população.
ORIENTAÇÕES PARA A ANIMAÇÃO DAS REDES (LOCAIS)
A rede é o meio, o ambiente - não produz efeitos por si mesma, independentemente dos estímulos que recebe. Seu papel é amplificar os estímulos e, em certo sentido, transformá-los ao recombiná-los em inúmeras variações, reverberando, pulsando, para estabelecer uma regulação emergente.
Sendo assim, é necessário animar a rede, provocá-la, abastecê-la com estímulos que ensejem a sua atuação regulatória, dando pretexto, aos seus nodos, para estabelecer novos caminhos, novas conexões, por onde trafegarão novas mensagens.
Isso significa que, se quisermos articular uma rede e induzir a sua expansão, temos que ter uma pauta de ações regulares de animação da rede. Essas ações - e isso é, sem dúvida, o mais importante - devem ser sistemáticas e repetitivas.
Além disso, é necessário fornecer "finalidades iniciais" (a expressão, conquanto aparentemente contraditória, quer dizer que as pessoas devem se mobilizar na rede em torno de um propósito declarado, que elas sejam capazes de entender, mas que não será, provavelmente, o resultado que obterão; ou seja, as "finalidades finais" serão construídas pela dinâmica da rede).
Para a Rede (Local) qualquer pauta de animação deverá traduzir, em indicações pedagógicas, as seguintes orientações derivadas do conhecimento que já se tem sobre a estrutura e a dinâmica das redes:
1 – Os membros do Comitê (Local) devem dizer abertamente que o Projeto Político de Desenvolvimento das Cidades do Paraná, naquela localidade, precisa de um número mínimo de voluntários conectados para acontecer, para poder funcionar. E que, quanto mais pessoas forem conectadas, mais sucesso a iniciativa terá, mais "forte" ela ficará. Esse número mínimo deve ser estabelecido em cada localidade, não podendo ser menor do que 1% da população da localidade.
2 - Os conectados devem receber regularmente uma mensagem do Comitê (Local). O importante é a regularidade, que não deve ser quebrada. Também é importante que essa mensagem, na forma de um boletim ou comunicado seja personalizado, dirigido sempre a uma pessoa, com nome e sobrenome - e, se possível, com o nome da pessoa que enviou. É desejável que esse boletim ou comunicado seja impresso (ou duplicado por copiadora) para que possa ser entregue de mão-em-mão, estimulando a conexão P2P. O boletim ou comunicado do Comitê (Local) conterá notícias sobre o que está acontecendo, os próximos eventos, os avanços na expansão da Rede (contagem contínua do tipo: "Já contamos hoje com 288 conectados à Rede de Participação Política de Maringá").
3 - O telefone (e o "torpedo" celular) deve ser usado sistematicamente para a comunicação na Rede. As pessoas conectadas devem receber ligações telefônicas dos membros do Comitê (Local), quando menos para bater-papo ou para perguntar como vai passando, o que está pensando sobre algum assunto, para convidar para uma festa, para um evento... Sim, é isso mesmo: conexão é relacionamento. Articular e animar a Rede é aumentar os relacionamentos entre as pessoas! Pelo menos um telefonema semanal é desejável: "Olá, como vai? Eu vou indo e você? Tudo bem?" Na rede estamos fazendo novos amigos, no sentido da "amizade política".
4 - Para os que têm acesso à Internet, um site ou blog da Rede (Local) será um ótimo instrumento, desde que seja atualizado regularmente (o ideal seria diariamente), com informações sobre o andamento do projeto, notícias e artigos.
5 - A conexão de novas pessoas à Rede é uma forma de animação da rede. Para tanto, deve ser reproduzido o formulário do Termo de Conexão (com uma explicação do que se trata no verso ou a chamada 'Carta de Princípios') em cada localidade, em grande quantidade. Cada membro já conectado à rede deve receber uma quantidade de folhetos do projeto, juntamente com formulários de conexão à rede. Sua tarefa inicial é conectar - pessoalmente - mais um número de pessoas (a ser definido pelo Comitê), entregando a cada uma o material e efetivando sua formalmente sua conexão.
6 – O Comitê (Local) deve ser ampliado com mais algumas pessoas (o ideal seria umas vinte pessoas) para dividir o trabalho de animação da rede na localidade e de implantação do projeto, promovendo encontros semanais e outros eventos, inclusive festivos.
7 - Deve-se promover uma capacitação sobre redes para os potenciais animadores (netweavers) que surgirem nas localidades.
ORIENTAÇÕES IMPORTANTES PARA NETWEAVING
1 - Ter sempre campanhas e metas | As campanhas podem ser propostas em torno de alguma ação coletiva que deverá ser realizada. Então, tendo o objetivo claro (a "finalidade inicial"), será possível conectar mais pessoas na rede para atingir tal objetivo. Deve-se estabelecer uma meta quantificável como, por exemplo, a de que precisamos chegar a 'N' conectados na rede em cada região para ter uma boa difusão da campanha.
2 - Ter sempre devolução ou retorno | Qualquer ação coletiva proposta à rede e realizada por ela deve ser registrada e a informação deve ser devolvida à rede. Esse deve ser um processo permanente, recorrente, sistemático.
O ideal é que os participantes conectados à rede recebam semanalmente alguma mensagem, como já foi dito acima. Os intervalos devem ser regulares e não deve haver falha nessa regularidade: (“água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”) é o lema aqui.
3 - Estimular sempre a conexão P2P | A rede deve ser usada para divulgar as informações. Cada conectado à rede deve ser um nodo e um elo de ligação, simultaneamente um centro de recebimento e de difusão.
Portanto, ao invés de distribuir massivamente um produto qualquer - um documento, uma cartilha, um jornal - é necessário estimular a replicação "por dentro" da rede. É necessário que as pessoas já conectadas à rede recebam vários exemplares de um material para distribuir para outras pessoas, da rede ou não (aproveitando a oportunidade para fazer novas conexões).
4 - A articulação da rede é permanente | A rede é uma estrutura móvel e não fixa. Isso quer dizer que, a cada instante, o mapa da rede, o seu "retrato", será diferente (o que se chamava de "instantâneo"). Muitas pessoas sairão (ou se afastarão, enfraquecendo sua conexão) enquanto que outras pessoas entrarão. Nada disso pode ser julgado como sucesso ou fracasso da articulação da rede.
A rede é assim mesmo: não é apenas uma estrutura no espaço, mas também uma arquitetura no tempo. O 'território' da rede é um campo (no sentido em que as ciências físicas empregam o termo, como campo eletromagnético, campo gravitacional), um espaço-tempo de fluxos. Portanto, o esforço de articular a rede não cessa jamais. Novas conexões deverão estar sendo feitas permanentemente, usando pretextos diversos e motivos os mais variados.
5 - A rede é surpreendente | Como disse Heráclito de Éfeso, que falava sobre fluxos: "Espere o inesperado ou você não o encontrará". Não adianta articular uma rede como uma forma instrumental de controle e condução das pessoas, para levá-las a cumprir uma tarefa que desejamos.
A rede não é uma forma de organização adequada para tal. Se for este o caso, é melhor organizar "células" ou "núcleos" sob nossa direção (mas neste caso se tratará, obviamente, de hierarquia e não de rede propriamente dita, quer dizer, de rede distribuída). Só deveremos articular redes se estivermos dispostos a ser surpreendidos com inovações, com a realização de coisas que não imaginamos e nem desejamos de antemão; com inovações que podem, inclusive, modificar as nossas intenções originais.
6 - A rede não é uma rede de pescar | A rede não pode ser usada com sucesso para “pegar peixinhos”, para recrutar pessoas para uma organização vertical, montada segundo um processo de cima para baixo.
A rede produz, sim, organização, gerando ordem espontaneamente a partir da cooperação. Se quisermos usar a rede instrumentalmente para recrutar militantes, poderemos até ter um aparente sucesso ao conseguir inchar uma organização urdida segundo padrões tradicionais, chamada, neste caso (impropriamente) de "rede", mas não conseguiremos constelar condições para que os fenômenos próprios da rede se precipitem.
Quem organiza militantes, conta apenas com aquele contingente que organizou, cuja força é necessariamente limitada; quem articula redes, pode vir a contar com forças insuspeitadas, com mudanças súbitas de comportamento.
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